Quando a Camila chegou com os gravadores, eu estava um pouco cética. Achei que os moradores não iriam querer ou que ficaria constrangedor. Não ficou. A primeira sessão foi tão natural que acabamos deixando a seguinte com mais participantes. Os cadernos que as famílias receberam no final foram o que mais me surpreendeu — várias ficaram emocionadas com coisas que nunca tinham ouvido antes.
O que disseram sobre os programas
Minha mãe está na residência há dois anos e ela não costuma falar muito sobre o passado com a gente — acho que não quer nos sobrecarregar. No caderno que veio da oficina tinha uma história sobre a fazenda onde ela cresceu que eu nunca tinha ouvido. Li duas vezes. O processo todo foi muito respeitoso, ela mesma falou que gostou porque a deixaram parar quando quis.
O portal reduziu bastante o número de ligações da equipe pedindo informações que já estavam postadas. O guia editorial foi o que eu não sabia que precisava — é simples, direto e qualquer funcionário consegue usar. O Ricardo foi muito cuidadoso na configuração e explicou tudo sem subestimar ninguém da nossa equipe.
O portal da residência do meu pai me ajudou a entender o que está acontecendo lá mesmo quando não consigo visitar toda semana. Gosto especialmente do calendário — antes eu ficava ligando para saber se tinha atividade ou não. Eles ainda mandam o boletim impresso para minha tia, que não usa internet, e ela acompanha tudo também.
O Programa de Livro foi o maior projeto que fizemos em cooperação com alguém de fora. O que me deu segurança foi o documento de escopo — sabia desde o início o que seria entregue. O evento de lançamento foi uma surpresa positiva: as famílias ficaram e conversaram entre si, o que raramente acontece. A demora das quinze semanas é necessária — faz parte do processo.
Minha avó participou das entrevistas do livro e contou coisas que nunca tinha contado para a família — histórias do Rio de Janeiro dos anos cinquenta, do pai dela que era pescador. Eu não sabia de nada disso. Receber o livro no evento foi muito emocionante. O cuidado com o consentimento foi o que convenceu minha mãe a deixar a vó participar.
Histórias de projeto em detalhe
Residência com 18 moradores, Botafogo — Campinas
A residência queria criar algum tipo de material de apresentação da história dos moradores, mas não sabia como fazer isso de forma que respeitasse quem não quisesse participar ou quem pudesse se sentir desconfortável.
Quatro sessões de quarenta minutos ao longo de duas semanas, com sete moradores que manifestaram interesse. Cada sessão começou com um novo pedido de consentimento. Uma sessão foi interrompida a pedido de um morador e reiniciada na semana seguinte.
Sete cadernos entregues às famílias. Duas famílias que moravam em outra cidade receberam os cadernos pelo correio. A direção da residência relatou que três famílias marcaram visitas nas semanas seguintes ao recebimento.
Residência com 32 moradores, Barão Geraldo — Campinas
A equipe da residência gastava em torno de duas horas por semana respondendo ligações de familiares sobre atividades, cardápio e datas comemorativas — informações que estavam disponíveis internamente mas não chegavam às famílias de forma organizada.
Seis semanas de trabalho incluindo diagnóstico, configuração do portal, dois treinamentos com a equipe e quatro semanas de operação acompanhada. Desenvolvemos um boletim quinzenal impresso para os doze familiares sem acesso à internet.
Redução estimada de 60% nas ligações sobre informações gerais, segundo relato da coordenação, dois meses após o encerramento do projeto. A equipe atualiza o portal de forma independente desde então.
Residência com 24 moradores, Cambuí — Campinas
A residência tinha um acervo de fotografias antigas — doações de famílias ao longo dos anos — sem nenhuma organização ou descrição. Muitas fotos não tinham identificação de datas, locais ou pessoas. A gestão queria fazer algo com esse material antes que ele se perdesse.
Quinze semanas de trabalho: doze entrevistas com moradores que se voluntariaram, digitalização de 340 fotografias, descrição de cada imagem com informações fornecidas pelos moradores e produção do livro encadernado em 18 cópias.
Arquivo digital com 340 fotografias descritas entregue à residência. 18 cópias do livro distribuídas no evento de lançamento. Quatro moradores que inicialmente não quiseram participar das entrevistas pediram para contribuir com descrições das fotos — o que foi incorporado sem nova sessão de gravação.
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Números atualizados em junho de 2025.
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